quarta-feira, 10 de julho de 2013
Quando a imaginação dói!
Há dores
que não reparto e sufoco
hoje é dia de morrer, devagarinho
quando a noite cair
e a imaginação me apunhalar o pensamento
sem cessar
terça-feira, 9 de julho de 2013
Filho do desejo!
Filho do desejo
óvolo
embrião
protegido por âmnion
expelido de um ventre
nu
lavado com lágrimas
de emoção
frágil corpo
em duras tábuas deitado
chorou
cresceu
a mão estendeu
o pão não encontrou
na boca de quem o gerou
pulou dos braços do abraço
no trabalho as mãos calejou
bolhas de sangue ganhou
a sede insalubre engoliu
da estrada bebeu o chão
vigiado por animais sem ciúme
ao longe o mar e um vento estéril
palavras soltas de nostalgia
e silêncios de poesia
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O meu fantasma!
O fantasma do meu
receio
é um verme limitado, silencioso
acompanha-me sem
pedir
impedindo a minha
vontade de dizer
o que não digo, e
tanto queria.
O fantasma do meu
receio
ouve o eco do meu
coração
enquanto se banha no
teu nome, de água
e se enfeita com a
espuma
do teu corpo.
O fantasma do meu
receio
está aqui, com ênfase
fazendo-me enrubescer
quando o teu cheiro
é presente
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Lágrimas de fome!
Franzino corpo,
de olhos vegetais,
mereces mais, do que um poema,
repleto de ais,
com olhar pregado no chão,
vagueia na fome que lhe servem,
com passos descalços, mata o tempo,
de mão estendida, para a hipocrisia,
que por ele passa bem vestida.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Tens-me, no teu olhar!
O sol, embeleza os vitrais do pensamento,
enquanto as curvas do teu corpo,
incendeiam o meu olhar.
Em silêncio,
embalados por uma brisa, plácida,
esquadrinhas os recantos, de mim.
Neste embalo, de mudos e contidos desejos,
és o esplendor, que inflama, as minhas veias,
e o meu sangue.
Tens-me, no teu olhar
deixa-me criar raízes, no teu coração,
até que a ampulheta do meu tempo, se esgote.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Vazio!
Vazio, é um estado,
é uma cratera profunda,
onde ecos, ocos,
são sinzelados na alma.
Vazio, é um sobressalto incessante,
onde tropeço a cada passo,
nas frágeis raízes,
que alimentam, a minha fragilidade.
Vazio, é este espaço,
branco,
onde só as palavras, ocupam espaço,
onde a cama continua despida, fria.
Vazio, é vencido pelo reflexo,
que vejo de mão dadas,
quando sentados,
beijamos o mar.
terça-feira, 26 de março de 2013
A Voz do Silêncio!
Quisera eu
percorrer descalço
o lamaçal desta primavera
Quisera eu
acomodar meu versos
na brisa fresca da manhã
Quisera eu
tatuar a alma silente
com a delicadeza dos gestos
Quisera eu
anexar as emoções
que caseaste nos meus lábios
Quisera eu
dedicar-te uma poesia
sem saber escrever
Quisera eu
no silêncio da intimidade
despir-te as lágrimas
Quisera eu
caminhar estrada fora
feito peregrino, para a ti chegar
Quisera eu
fechar todas as portas
que abriste para entrar
quinta-feira, 21 de março de 2013
Primavera!
Primavera é fantasia
jardim de encantos
musa desta singela poesia
Primavera és a mais bela
teus beijos perfumados
teu corpo, um jardim em aguarela pintado
Primavera
adornada com folhas de ouro
e raios de sol envergonhados
Primavera
com teus beijos
aqueces o meu corpo, roxo pelo inverno
terça-feira, 19 de março de 2013
Pai!
Ser pai não é só um acto de procriar
pai é amar, mas também é sofrer
é sonhar, é ver crescer
é acompanhar quando ainda se está no ventre
Ser pai é dividir emoções
multiplicar afeições
incentivar, apoiar, vibrar
chorar
Ser pai é saber orientar
saber dialogar
é ser herói, bandido, policia
é ser amigo o tempo inteiro
Ser pai é saber repreender
ensinar, amar sem preconceitos
é caminhar lado a lado, dar colo
e dizer que bom é ser teu pai
Ser pai é ensinar
que bom é termos uma mãe
Para o meu pai e melhor amigo!
quinta-feira, 14 de março de 2013
Cheguei aqui!
Cheguei aqui
vindo de outras vidas
já fui sol e frio
lua e cúmplice
Fui vento, brisa, chuva
fantasia, medos e segredos
com as mãos lavei a terra
e purifiquei almas
Fui sombra
e caminhos percorridos
fui choro, inconsolável
e ira
Fui mar
temporal
fui ladrão
roubei as estrelas
Cheguei aqui
de mãos vazias
com a alma cheia de sonhos
à procura de um doce beijo, o teu
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Há uma atecnia, nas palavras!
Há uma atecnia, nas palavras
quando ouso desenhar
o adintelado do teu corpo
Há uma vontade premente
e uma avidez, no abraço
com que me aqueces a alma
Há uma feliz onirocrisia
que galvaniza o meu corpo
quando te penso
Há detalhes, teus
que na utopia dos sonhos, são meus
desfeitos na atrocidade, do acordar
Há somente, uma vontade de quem é gente
que nos arrabaldes da loucura
ousa “morrer”, por um beijo, teu
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Na noite!
Na noite
procuro-me nos espelhos
que me olham
nos pingos de chuva, que me molham
no luar que se abre, em ti
Na noite
despida de intimidades
abraçado às ondas, do teu corpo
desfaleço
quando em ti permaneço
Na noite
entre ruelas, de poemas
sorvo com emoção
os sons, suaves, do teu corpo
quando danço, ao sabor de ti
Na noite
quero ser o céu, que te cobre
debaixo da lua
entre paredes brancas de cal
ou nos escombros, teus, de quentes ruínas
Na noite
és a brisa, que arrepia a memória
quando me olhas
e vasculhas a alma, nua
com inócuas vontades
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Dilúculo
Encontro-me, menino
percorrendo as vias
que o tempo preparou
e as distâncias, que em mim deixou
“Amanhã” estarei aqui
neste banco de jardim
procurando a difusão
da tua sombra, incólume
Passo a passo, sigo
entre jardins de hibiscos
raios de sol
e palavras mudas
Há sulcos, cavados no chão
e uma paz que entorpece a dor
quando o dilúculo, vence as trevas
e me faz sonhar-te
Sou um mortal adimplente
sem receio do teu charme, diáfano
sou o crayon, que ousa traçar o teu corpo
com matizes de primavera
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Peregrino pelas palavras!
Peregrino pelas palavras
enquanto alimento a minha alma
com a imagem que guardei de ti
Peregrino pelas palavras
solitário com meus pensamentos
no avesso da minha vontade
Peregrino pelas palavras
descanço e levito
embriagado, pelo teu olhar
Peregrino pelas palavras
sem testemunhas, sem ruído
sentindo os sulcos do tempo, em mim
Peregrino pelas palavras
cessando as madrugadas, frias
quando calas os meus ais, com a tua boca
Peregrino pelas palavras
a alma abstem-se do calvário
que antecede a primavera
Peregrino pelas palavras
escrevendo um poema, da noite anterior
sem lápis, ou papel
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
É inverno, cinza!
É inverno, cinza
progenitor de mil vozes
de feridas abertas, frias
venço o cinza, quando te sonho.
Passeias por mim na noite, cinza
do meu corpo fazes uma folha
com linhas em branco
escrevendo sonhos, enluarados.
Sonhos em tons de inverno, cinza
embrulhados em brancos fumos
que emanam da lareira
que acendeste, em nossos corpos.
Os teus olhos refletem o céu, cinza
enquanto nossos corpos, descansam
das bocas que se abocanham
no beco da demência.
Somos almas em cárceres, cinza
sem alamares ou braguilhas
sentindo a humidade, quente
ávida, plural.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Ancorei as palavras!
Ancorei as palavras
para que me adivinhes
entre taciturnos ventos
Resta uma palavra caída
aqui e ali
que amargamente inventei
Ancorei as palavras
numa noite de sonho e tormento
levadas como poeira pelo vento
Resta um corpo que corre
debaixo de um céu
para o leito de prazeres supremos
Ancorei as palavras
aprisionando o próprio corpo
refletido num espelho que não vejo
Resta um sonâmbulo momento
em que procuro a febre
de um fantasma ausente
E agora?
E agora?
que a noite cai
onde encontro luz
que me ilumine
E agora?
que me interrogo
oprimindo
o meu receio
E agora?
sento-me
nas escarpas do vento
nos medos de mim
E agora?
que fazer com esta lágrima
que se confunde
e funde com a chuva
E agora?
resta-me a caricia dos teus olhos
e o calor do teu corpo
no meu
E agora?
vou salvar as tintas
com que pintei teu sorriso
e o nosso amor
Saudade!
Saudade
palavra que se alonga
infinita e insóluvel
Saudade
soletrada em todas as horas
fonte de lágrimas e gritos
Saudade
precípicio dos sonhos
e olhares lamacentos
Saudade
que reprimido
e me torna frágil
Saudade
do brilho da lua
de um beijo, dado na noite
Saudade
Saudade
encarcerada entre dentes
precursora de silenciosos poemas
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O tempo!
O tempo
nasceu comigo
teima em envelhecer
desprezando o meu querer
O tempo
sem decreto
ou projeto
comanda a minha vida
O tempo
sem pressa, desleal
faz-se de novo para tantos
velho, sem promessas para mim
O tempo
guarda em mim saudades
e receios que partem
voltando
O tempo
despreza o meu tempo
comanda o meu destino
qual ditador sem compaixão
O tempo
não me assusta
aqui o desmascaro e aviso
um dia, vais morrer
Pequenas palavras!
Pequenas palavras
enchem mudas folhas
uma após outra
tecendo sensações
Pequenas palavras
dão vida a mudos gritos
calam desejos
e amores proibidos
Pequenas palavras
pedem auxílio
um abraço
ou um pequeno sorriso
Pequenas palavras
desejam palavras
iluminadas pela lua
beijadas na noite escura
Pequenas palavras
anexo ao coração
murmurando
em segredo teu nome
Pequenas palavras
aqui tão caladas
ressuscitadas
por um beijo teu
Pequenas palavras
impelem os meus sonhos
beijando teu corpo
com palavras de amor
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Pobres de nós!
Há uma tarde que urge
lavada pela chuva
coberta com um manto
de castanhos tons
Há parlendas
com esgares animalescos
frutos que sobram
da fome
Há senhores hediondos
que até são doutores
desauridos sobre faustosas mesas
tecendo funestas leis
Há resquícios de um povo
tido como plebe
que evacuará esses
e sobre esses senhores
Há uma revolta premente
no coração de quem é gente
hauridos serão
quando forem chão
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Encontrei-te, sem te perder!
Encontrei-te
sem te perder
perdi-te
sem te encontrar
As páginas
da nossa história
queria folhear
nelas abraçar o teu sorriso
As vezes
o amor é nóxio
causando dissabor
no coração e na alma
O tempo
é um verme silencioso
que me transforma
num decrépito corpo
Enquanto tu
és essência, elixir da vida
e um doce encanto
menina
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
O vazio que me toma, é ambíguo e ridículo
A monotonia espalha-se
pelas minhas veias
como veneno letal
o meu corpo cambaleia
perante o som, que o silêncio faz
Tenho receio
de te perder
solidão
é lá que me encontro
contigo
O vazio que me toma
é ambíguo e ridículo
enquanto me dói a alma
enquanto o meu sorriso dissimula
o escuro inverno
Mas o céu continua azul
borrifado de brancas nuvens
enquanto eu deixo escorrer
meus medos esquálidos
para que ninguém os veja
Enjoo da multidão
que me cerca, mas não me aquece
deste cansaço frio
que ninguém sente
nem merece
Foto retirada da net
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Curvado pelo silêncio!
Eis-me
aqui debruçado
sobre a muralha da vida
construída sobre a minha alma
em silêncio
Eis-me
curvado pelo silêncio
e pela fraqueza do meu ser
dependente
de ti
Eis-me
vestido de amálgamas
tomas-me
com a tua vontade
como se eu fosse oligopsónio
Eis-me
aqui sem ser ubíquo
imaginando teu brilho
límpido
feiticeira
Eis-me
repetindo o desejo
que a acalmia do teu corpo
quente
me provoca
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Hoje!
Hoje
olhei sem raiva
para a incerteza
para o infinito incompreensível
Hoje
lamentam-se as minhas dores
de tudo que calaram
para não doerem
Hoje
invade-me com o teu desejo
aquece-me com o teu corpo
penetra-me com o teu querer
Hoje
arranca-me suspiros
descansa em mim
faz de mim o teu querer
Hoje
inicia em mim
uma viagem sem retorno
cala-me o grito, descobre-me
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
O tempo urge!
O tempo urge, afoito
como nuvem ameaçadora
que se esvai, e ressurge
Enquanto o ruído
do silêncio
disseca a minha alma
O tempo urge
como órfão
reprimido
Enquanto uma luz, ténue
ilumina a tua imagem
nos vitrais, do pensamento
O tempo urge, sem raiva
esbatendo ilusões
fustigadas pelo silêncio
Enquanto a brisa cala
beijos de amor
e uma fraternidade de vontades
O tempo urge
sem compaixão
imolando o meu sentir
Enquanto a anosmia
tenta obstinadamente
apagar a tua presença, do meu corpo
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Vestida de branco!
Vestida de branco
adornada de azul
plantada num jardim de margaridas
como pérola
te vi
Vestida de branco
vestida de paz
imaginário oásis
que chora
e ri
Vestida de branco
na paz da poesia
exalas bálsamos
essências
suspiros em sinfonia
Vestida de branco
obturas teu corpo
prelúdio da doce inocência
de um coração escarlate
carente
Vestida de branco
guerreira dos sonhos
com passos suaves
mas afoitos
encontras os espaços dentro de ti
Vestida de branco
embalas os braços da ilusão
gastos pelo tempo
que passou
e jamais voltou
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Há!
Há um sol latente
quando chove
em cada alma
Há uma sêde
em cada vontade contida
em cada gesto cansado
Há um desejo renovado
em cada folgo trocado
por duas bocas beijadas
Há no meu corpo
o latejar do teu
quando renovamos vontades
Há uma mão cheia de silêncio
quando abres a porta da madrugada
e te vais
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Amanhece!
Amanhece
sob lençóis freáticos da alvorada
no vale onde me habitas
sombras imprecisas
exalam aromas de rosa e jasmim
Amanhece
em todos os lugares sombrios
pela janela dos meus olhos
deslizas o teu corpo
sobriamente
Amanhece
entre orgasmos de palavras
quando me penetras os sentidos
e fazes de mim a chave
que abre o sulco do teu ser
Amanhece
nossos corpos permutam
gotas ciclópicas
enquanto me sugas
com essa vontade vampírica
Amanhece
da noite restam resquícios
lavrados no corpo
por um frémito querer
e sons inauditos
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Dos meus trémulos dedos!
Dos meus trémulos dedos
nascem palavras
num redemoinho
dando forma ao teu nome
Dos meus trémulos dedos
nascem raios de sol
em noites escuras
formando hieróglifos perdidos
Dos meus trémulos dedos
nascem momentos loucos
quando o tempo se deita
e as estrelas acendem o teu olhar
Dos meus trémulos dedos
nascem palavras de espanto
numa caligrafia corrida
e linhas tortas
Dos meus trémulos dedos
nascem palavras sem obrigações
sem ventania
escritas numa praia deserta
Dos meus trémulos dedos
nascem desejos e segredos
que partilhei com o mar
e contigo
Dos meus trémulos dedos
nascem poemas
que serão esquecidos numa gaveta qualquer
que o tempo se incumbirá de amarelar
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