és o meu olhar
Neste pequenino rectángulo
de cor rosada, cor de menina que és tu
acaricio esta superfície plana
e sinto o teu olhar e a tua presença
não sou poeta nem sonho sê-lo
só escrevo o que o meu coração me dita
Contemplo fascinado a pérola
que um dia, conheci lapidada
em reflexos de luar
sinto a imensidão do teu olhar
no meu olhar
quero tocar-te e não posso
pronuncio palavras na tua ausência
Os olhares cruzam-se numa dança
flamejante de castrados quereres
o tempo morre no tempo sem tempo
sorrisos trémulos em esgares ternos
testemunham o nosso olhar
Quero sim sentir, olhar
até ao dia em que te vou abraçar
sentir o teu corpo, no meu
deixar tagarelar o meu coração
acariciar os teus cabelos sedosos
murmurar-te ao ouvido
é tão bom este teu abraço
O meu olhar sublima-se ofuscado
com a tua beleza
quero olhar-te, ver-te e sentir-te
olhar os teus olhos de mel
quando tu docemente sorris
ver o brilho de felicidade neles retidos
ver a beleza contida nesse olhar marejado
ver nos teus olhos a construção de um poema meu
ver o que vês na poesia que eu escrevo
O tempo galopa como a furia do vento
palavras pronunciam-se
num abraço sedento
lamentos incontidos ecoam
nas nossas palavras
num sonho sonhado por nós


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